Queridos Pais,
Vamos falar sobre as palmadas? Safanadas? Sacudidelas? O que quiserem chamar…

É um tema polémico.

Antigamente, era recorrente recorrer-se a este recurso (desculpem o trava-línguas). Muitos lembram-se bem de as ter levado e de com isso terem aprendido; outros levaram, levaram e faziam os mesmos disparates; outros, ainda lamentam não ter levado mais e alguns dizem mesmo “que só se perderam as que cairam no chão”.

Mas e agora? Hoje em dia? Com o passar dos tempos, faz sentido? Continua a fazer sentido recorrer a este recurso? Muitas são as teorias…

Não sou totalmente defensora da “Educação Positiva”, gosto do equlíbrio dos meios-termos e este é, para mim, um extremo, e em muitas teses o oposto daquilo em que acredito. Contudo, e como gosto de meios-termos, também não sou fã, da Educação através do Medo, pelo contrário. Digamos que eu sou pela “Educação do Bom Senso”.

E é nesta base que esta carta é escrita, a vocês, pais queridos 🙂

Não consigo posicionar-me CONTRA as palmadas, não acho que os pais se devam sentir culpados se numa altura na relação com os seus filhos, esgotaram a sua paciência de santo e lhes deram uma sacudidela (que nem doeu, como dizem os mais pequenos) no rabiosque. Não acho condenável nem digno de julgamento sequer.

Não acredito que traumatize nenhuma das crianças, muito menos, deva traumatizar algum pai ou mãe.

Acho que ninguém gosta de perder o controlo da situação e este “último recurso” surge, muitas vezes, como um acto já desesperado de fazer parar! De acabar com o martírio. Então, idealmente, queremos mesmo é evitar este estado grande de stress, não é?

Vamos tornar este ideal possível? Para o vosso bem e para o bem de todos?

Uma criança que leva palmadas, normalmente, tem mais tendência a não fazer o disparate, por medo da “dor física”, que de nada ensina, gerada pela impulsividade de alguém maior/mais forte. Depois, muitas vezes, promove que faça o mesmo a outros colegas mais pequenos da escolinha, por exemplo. Ou começa a adoptar comportamentos agressivos com os outros. É como se lhes dissessemos “é assim que se resolvem os problemas”, quando na verdade, não deve ser assim que os problemas devem ser resolvidos. Quando se torna um acto recorrente então, acaba por perder todo o efeito que uma palmada “dada na hora certa” poderá ter. A palmada quando banalizada, na maior parte das vezes, promove até o desafio e a rebeldia dos pequenos para os mais velhos. Frases como “não doeu” ou “não me importo” são muito comuns, o que faz com que ainda nos sintamos mais desesperados por não saber o que fazer depois de esgotado o “último recurso”.

Faz sentido para si este raciocínio? Se sim, não perca a próxima carta, onde darei dicas precisosas para substituirmos o impulso da palmada, mesmo aquela na hora certa 🙂

Obrigada melhores pais do Mundo!

Sem culpas, mas a querer aprender novas formas de criar laços mais fortes e uma família mais feliz.

Mil beijinhos e boa semana!